Por que dizer calma nunca acalma?
Quando foi a última vez que alguém disse a você – ‘calma’ – e isso funcionou?
A palavra ‘calma’ é uma das mais usadas em momentos de tensão — e uma das menos eficazes. Para entender o que acontece é preciso saber que o cérebro recebe essa mensagem como uma ordem, não como compreensão. Isso porque, a voz e o corpo “falam” mais que as palavras, e geralmente quando tentamos pedir calma em momentos de assimetria emocional.
Neste caso, a mensagem implícita fica sendo…
• “O seu sentimento é exagerado.”
• “Você está errado por sentir assim.”
O que acontece no cérebro…
A emoção ativa não se desliga por comando verbal. Quando alguém está ativado: O corpo entra em defesa, a escuta diminui e a reatividade aumenta
“Dizer ‘calma’ exige racionalidade de alguém que biologicamente não a tem disponível naquele momento.”
O não verbal sabota a palavra…
Mesmo que inconscientemente, quem pede calma, em geral mostra nervosismo. O tom de voz fica mais alto ou impaciente, a postura se torna mais rígida e, até, pode surgir um certo olhar de reprovação.
Isso tudo pode passar a sensação de comando, ironia e julgamento.
O resultado passa a ser negativo e ameaçador para quem escuta, porque o corpo fala antes das palavras e contradiz o que foi dito!
O impacto relacional deve ser considerado…
Assim, cada vez que dizemos ‘calma’, a pessoa sente-se invalidada, a relação é questionada, há perda de confiança e o conflito acontece e, daí, só aumenta!
“Não é sobre acalmar o outro. É sobre demonstrar segurança na relação e manter a credibilidade para a desaceleração acontecer naturalmente.
O que dizer em vez de “calma”?
Alternativas conscientes
- “Eu quero entender o que está a acontecer contigo.”
• “Vamos respirar um segundo?” (dito com o próprio corpo regulado)
• “Faz sentido estares assim.”
• “Estou aqui.”
Importante: Essas não são frases mágicas. Funcionam apenas quando acompanhadas de intenção real, para que a linguagem corporal projete o que as palavras estão dizendo.
Autocontenção: o passo esquecido!
Não se acalma alguém que está à nossa frente se nós próprios não estamos equilibrados. Por isso é importante essa autoquestionamento: “Como está seu equilíbrio antes de tentares acalmar alguém?”
Reflexão
Calma não é uma palavra. É um estado. E estados emocionais não se impõem, transmitem-se!





